domingo, 19 de abril de 2009

Meus ovos estão todos chocos. Só bacon por hoje.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ovos de Natal

Não somente a Páscoa traz seus ovos, irônicos e calóricos, de um suposto coelho, que indica nascimento, uma vez que deveria ser ressurreição. O Natal traz ovos.
Para alguns, de merda.
Para outros, de ouro/ dinossauro.

Chega nessa etapa festiva, quiosques são enfestados pelos reféns do capitalismo selvagem, cegos pela suposta oferta de ovos de ouro "com preços abaixo de custo".

Mas sábios como ornitópodes que somos, não nos deixemos levar por enrolação. Nas sábias palavras de Tolkien:

"Nem tudo que é ouro fulgura
Nem todo vagante é vádio
O velho que é forte, perdura
Raíz funda não sofre o frio [...]"

Não é possível comercializar ovos de ouro. É semelhante a poção do amor: balela!
Mas o Natal, pelo menos hoje, prega que por um dia no mundo, podemos dar e receber ovos de ouro à vontade... se pudermos pagar por eles.

Não se compra sorte, não se vende amor, não se fabrica bondade. Isso nasce ou brota, o resto é lorota.

Aos que esperam ovos de ouro: contente-se em não ganhar ovos de merda.
Aos que esperam ovos de merda: almeje os ovos de ouro.

E não compre o ouro dos dinossauros tolos em quiosques asiáticos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Tem um ovo de dinossauro na minha cama...

Ao contrário de dias sem otimismo e ovos, há dias em que acordamos com um ovo de dinossauro depositado ao lado do nosso travesseiro.

Ele é a antítese do dia de ovos de merda, onde tudo dá errado... É um dia de ovos de ouro. É aquele dia em que tudo dá surpreendemente certo. Sim, esses dias existem! O céu está lindo, você pode entrar mais tarde no trabalho (nem só os finais de semana são agraciados pelos ovos de ouro/ovos de dinossauro), dias em que sua roupa da sorte está disponível e lhe serve perfeitamente. Dias em que as mulheres bonitas reparam em você (no caso masculino), que os homens bonitos viram o pescoço para acompanhá-la (no caso feminino). Dias em que tudo funciona como um relógio suíço: sem estresse, sem trânsito, sem demora, sem atrasos, sem decepções.

Raros como um fóssil, mas legítimos como a existência dos dinossauros.

E é sim possível extender esses dias de ovos de ouro, tornando-os semanas, meses e até anos de ovos de ouro.
Basta saber o que fazer com esse ovo de ouro/ovo de dinossauro que esteve ao seu lado pelo menos por um dia.
Torná-lo uma fritada e dividir com todos que ama? Guardá-lo como a mais preciosa das jóias e jamais fazer uso, acreditando que seja o último e único? Exibí-lo como um troféu aos desafortunados que não tiveram ainda seu ovo de ouro?

O que fazer com seus dias de ovos de ouro?

E o que fazer com seus dias de merda?

E o que fazer com os ovos?

Coma-os. De preferência, no começo do dia.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Azul luar sobre o asfalto gasto

Azul luar sobre o asfalto gasto. Ruídos de patas e unhas pelo chão imundo, sincronia entre relógio e passos. Somente a solidão do vento compreendia o caminhar acelerado de ser tão solitário. Uma luminescência branca e azul tangia os pelos daquele ser vindo de regiões de ausências. Ninguém o viu. Mas seu hino ancestral ainda hoje é cantado por aqueles que o ouviram gemer de fúria em noites já esquecidas pelo vento...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Ausência de proteínas

Hoje eu acordei sem ovos.
Não vi quiosques.
Não quis ter um dinossauro.
O dia pareceu mais vazio.

Meus supostos ovos matinais são minha dose de otimismo que não quebrei e fritei hoje. Deixei na geladeira com medo de faltar amanhã.

Meus quiosques são meus planos, armados, desarmados, montados e desmontados dentro de minha mente. Tão frágeis que qualquer arrastão é capaz de derrubar.

Meu dinossauro é minha memória, minha lembrança, minha nostalgia. Hoje eu simplesmente não a queria. Poderia guardá-la no fundo do armário porque quebrou seu braço plástico made in China. Largá-la onde não pudesse vê-la por um bom tempo. Porque quando a reencontrasse, a única lembrança seria a lembrança de tê-la guardado.

Dias vazios são apenas dias vazios. São dias sem ovos, quiosques e dinossauros. Dias sem otimismo, sem planos, sem lembranças.

Mas o amanhã garante pelo menos um ovinho de codorna de esperança. Uma banquinha camelô de idéias e um Composognathus de memórias e lembranças...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Bulimia Verbal - pt. 1

Devoramos as coisas, mas não respiramos as suas almas essenciais. Somos vazios por fora, e cheios de vácuo por dentro. Somos devoradores de aura das coisas, essencialmente vazios, ocos e cegos.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Dinossauro de Óculos

Quiosques e dinossauros, tavernas e dragões. Somos tão velhos, e ainda tão infantes. Do novo berço de carvalho e penas às novas travessuras. Tyranossaurus lançam filhotes indesejáveis pela janela do mais alto andar, manadas de Brachiossaurus devorando toneladas e toneladas de cana-de-açúcar e soja, Dylophossaurus sendo devorados por máquinas fotográficas a todo instante, Compsognatus pedindo esmola no farol. Bem vindos ao novo velho mundo.
De lá a cá, muito barulho!
As deusas do destino agora brincam de “Bárbie” com seus mais bonitos brinquedos antigos, vestidos em nova pele forjada pelo Artesão da mudança. A eterna ilusão da mudança. E a gente ali no meio, no meio da certeza.
Ontem saí de casa com a certeza de chegar n’algum lugar, visitar paisagens ilustres, um mundo de gigantes feito para jovens titãs. Ontem foi como hoje, apesar de todo o artifício, dos fogos ladeira abaixo, da caldeira de bobagens. Ontem foi extinção, holocausto e genocídio. Parece normal, pois artístico.
Mas há flores no quintal, há vontade de bringar! Velejar o mar vermelho negro, planar. Ainda há espadas de cano duplo sob o assoalho, ainda há machados de três mãos pendurados com estimo na parede, ainda o velho motor a carregar a locomotiva de ágata estriada para além mar...